1- Concursado há vinte anos como professor na UNIR, com formação em Letras (na UFAM) e depois em Direito (na UNIR), fui liberado para fazer o doutorado na Espanha, em finais de 1995.
2- Devido a que publicasse denúncias contra corrupção na Universidade, embora todas comprovadas (talvez por isso mesmo), foram cortados os meus vencimentos quando cumpria os estudos programados pelo Departamento, e diante da incerteza sobre a lentidão da Justiça com o retorno, resolvi lutar judicialmente, da Europa, sem voltar, não obstante as parcas condições financeiras. Assim, foi possível participar em um concurso internacional e fui aprovado em primeiro lugar para lecionar na Universidade de Santiago de Compostela (USC), na Galiza.
3- Fundamos assim o primeiro Leitorado Brasileiro na Espanha e ajudamos a fixar quatro disciplinas relacionadas ao Brasil, e foi possível concluir o Doutorado em Filologia da Língua Portuguesa, participar de grupos e projetos de pesquisas, comitê editorial de revista, defender textos em diversos eventos pela Europa e mesmo voltar ao Brasil de vez em quando, enquanto esperava a decisão judicial terminativa garantido o meu retorno.
4- Aprovado noutro concurso público espanhol, tornei-me pesquisador-bolsista no Departamento de Direito Privado da Universidade da Coruña, onde iniciei um Doutorado em Direito, agora utilizando os materiais das lutas judiciais e administrativas que se travavam no Judiciário e na UNIR para concluir as disciplinas e para realizar o meu Projeto de Tese Doutoral, que se chamou "Normas de interpretação e interpretação de normas de responsabilidade civil de fundações privadas de apoio a universidades públicas, numa perspectiva comparada entre Brasil, Espanha e Portugal".
5- No Brasil, na UFRJ, o nosso título em Letras tornou-se “Doutorado em Línguas Neolatinas”, e a tese, publicada com o título de Análise Intercultural de Argumentos, serviu de base para a construção da disciplina “Filologia Política”, que procura verificar as lutas em torno das línguas, especialmente destinada a salvaguardar os idiomas minorizados e ao mesmo tempo impulsionar o ensino da língua portuguesa pelo mundo.
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